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Paulão inicia vôo solo no aeroporto de Campo Grande
17/03/2008

Cada viagem das Velhas Virgens é capaz de proporcionar histórias suficientes para preencher um livro inteiro. O complicado é colocar em ordem as recordações ébrias desses rapazes.

Certa vez, a banda foi contratada para uma seqüência de shows pelo Mato Grosso do Sul. Não era uma série muito extensa. Ocuparia apenas um fim de semana da agenda, mas resultou em histórias inesquecíveis. Na verdade, talvez tudo se encaixe na mesma história. Vamos ver no que vai dar.

“Fomos tocar em Campo Grande e Ponta Porã. Também ia ter um show em Dourados, mas o contratante deu pra trás na última hora”, recorda Caio. “Aconteceu com um amigo muito próximo da gente, parte da equipe de músicos – não é o Cavalo, não sou eu, não é o Tuca e vale lembrar que o Lips faz parte da técnica. Quem será?”

“Sou eu, pode continuar”, autoriza Paulão.

“Bem, estávamos no Mato Grosso Sul e nosso vôo de volta para São Paulo sairia apenas às 4h da madrugada de domingo para segunda-feira. Nós havíamos tocado no sábado em Ponta Porã. No domingo teve um churrasco do pessoal do motociclismo para o qual fomos convidados. Começamos a beber por volta das 2h da tarde.”

“Começamos a beber muito”, enfatiza Lips numa observação desnecessária a esta altura.

“Pois bem, quando o churrasco acabou – e isso já era à noite –, voltamos para o hotel em Campo Grande. Tínhamos mais ou menos até meia-noite ou 1h da manhã pra ficar tomando umas. Quem quisesse dormir estava livre pra fazer esse opção. Tínhamos que ir pro aeroporto lá pelas 2h ou 3h da manhã. Tudo isso rolando e o Paulão só queria saber de beber. Ficava filosofando sobre como é difícil ficar louco, e bebe e bebe e bebe...”

“Pára, Caio!”, interrompe um impaciente Paulão. “Quem vai contar essa história sou eu, pelo menos até onde eu lembro. Nós já saímos doidos de Ponta Porã, onde tínhamos feito o show no sábado. Estávamos bebendo com o Piolho, um dos caras do motociclismo. Na volta pra Campo Grande, foram quatro ou cinco horas dentro do ônibus tomando tudo o que eu via pela frente. Eu estava economizando dinheiro porque tinha ficado sem nenhum tostão no bolso.”

“Peraí, abre um parênteses”, pede Cavalo. “Chegamos ao hotel e lá a água custava um real. O Paulão achou ‘caro’ e disse que ia economizar o dinheiro para colocar combustível. Algumas horas depois, esse ilustre homem tinha gastado quase cem paus em uísque com energético.”

Depois de alguma insistência, Caio retoma a palavra: “Tinha uma turma do zum zum zum que estava querendo ir a lugares ilícitos...”

“Puteiro!”, interrompe o resto da banda em coro. Sinceridade é sempre bom.

E Paulão continua sua história: “Como sempre procuramos ficar em hotéis perto da rodoviária, pois é mais barato, saímos para rodar a pé pelos arredores da rodoviária de Campo Grande. Achamos uns bares enquanto procurávamos algum lugar legal. Eu estava com mais algumas pessoas que preferem não ser identificadas. Paramos em um boteco e eu queria tomar mais uísque com energético, mas o estabelecimento não aceitava cheque de outra praça.”

“O Paulão ficou indignado”, entrega-se Caio. “Começou um baita de um discurso: ‘Como é que é? Eu vou botar fogo nessa merda. Vocês não vão aceitar meu cheque? Eu venho pra essa cidade de merda e ninguém aceita meu dinheiro. Como é difícil ficar louco...”

Prevenido, o tranqüilo Tuca, que não queria ser identificado, mas agora já foi, aconselha o amigo enlouquecido: “Paulão, nós estamos em Campo Grande. Manera, senão a gente acaba morrendo aqui.”

Sem pestanejar, Paulão emenda: “Eu estou aqui para matar ou pra morrer.”

“E por acaso o que você tem nessa pochete é uma arma?”, pergunta Tuca, o mediador da banda.

“Não. Então estou aqui para morrer”, prossegue o bêbado-mor.

Paulão teve então a genial idéia de insistir para que o dono do bar aceitasse seu cheque. Diante da ainda mais insistente recusa do proprietário, o beligerante e enlouquecido Paulão berra: “Quanto é o aluguel dessa merda? Eu compro essa porra desse bar. Eu só quero beber. Nada mais.”

O clima para conversa acabou e todo mundo foi embora dali. Depois dessa pequena confusão, Paulão saiu para um lado e seus acompanhantes, precavidos, para o outro. “Parei num caixa eletrônico, saquei dinheiro e comecei a ir de bar em bar. Num determinado momento, caí no chão, em cima de um cara que estava fumando crack. Acabei ficando amigo temporário dele e decidimos comprar mais um pouco de uísque. E o tempo foi passando. Eu só me recordo que deu 2h da manhã e eu cheguei ao hotel com um copo numa mão, uma garrafa na outra e o cara do crack do meu lado. Só sei que retornei na hora marcada e ainda fiquei apressando o pessoal que já estava lá fazia um século. Em seguida, saímos rumo ao aeroporto, mas disso eu não vou conseguir me lembrar porque eu simplesmente apaguei.”

Não tem problema. Sempre há alguma testemunha para dar seqüência à história. “Na hora em que chegamos para checar a bagagem, a moça da companhia aérea olhava e dizia: “Esse rapaz não tem condições de embarcar”, lembra Cavalo.

“Mas não era pra menos. Ele estava esticado numa cadeira, inconsciente, rodeado pelas quatro malinhas de mão que ele leva em toda viagem que faz”, explica Lips.

“Olhe o estado dele. Esse moço está visivelmente embriagado”, insiste a aeromoça.

“‘Minha senhora, eu sei que ele está embriagado, mas prometo que ele vai embarcar e se comportar direitinho’, dizia o Zé pra aeromoça”, recorda Cavalo. “O Zé levava o Paulo até a cadeira e pedia pra ele ficar ali, quietinho. Quando olhava novamente, o Paulão já tinha escorregado da cadeira e estava esparramado no chão outra vez.”

“A gente já estava quase botando as fitinhas nele e despachando junto com a bagagem ou naquelas gaiolinhas que mandam os animais”, sacaneia Caio. “Depois, Paulão e Marquinhos, os dois loucos, começam a brincar com o detector de metais do aeroporto. O detector disparava, os dois loucos riam e todo mundo olhava estranho praquele bando de bêbados. Na hora de passar pela moça, o Paulão fez uma baita cara de sério. Logo em seguida, o Zé comenta com ela: ‘É, ele fingiu bem... Parece que dá pra embarcar.’”

Dentro do avião, “ele gostou da história e resolveu contá-la”, prossegue Caio. “O Paulão ficava repetindo: ‘Mas esse homem não vai embarcar. Ele está embriagado. Esse sujeito está no aço. Ele tomou um fogueto.’ A gente querendo que ele ficasse quieto e o desgraçado querendo conversar.”

“O Tim Maia cansou de fazer isso e não teve problema nenhum. Por que eu não posso?”, tenta justificar o vocalista alcoolizado.

Contada essa história, Lips lembrou de um detalhe interessante ocorrido na viagem de ida. “Quando embarcamos para Campo Grande, as aeromoças passavam e alguns dos nossos aplaudiam. Tínhamos feito uma balada meio forte depois de um show na noite anterior. Esse rabugento do Paulão passou metade do caminho dizendo que a gente ‘não tinha classe pra viajar’. Chega na viagem de volta, o sujeito se joga no chão.”

Sobre os shows desse fim de semana memorável, Cavalo lembra que Caio, Tuca, Fábio Brum, Tatá e um baterista ficaram tocando até o sol nascer. “Nosso show já tinha acabado havia horas. Eu estava sentado na calçada em frente ao bar e ainda ouvia eles tocarem”, recorda.

“A gente resolveu fazer uns temais instrumentais. Só isso. No fim, tocamos umas 20 músicas”, explica Caio. “O cara da mesa de som queria ir embora e a gente não deixava. Coitado.”

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