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Velhas Virgens e Crônicas      -
  Lips, um dócil brigão

As Velhas Virgens são uma banda pacífica. Envolvem-se em muita confusão, é claro, mas raramente entram em lutas corporais. Lips, em especial, é um sujeito dócil, mas é melhor não mexer com seus brios. Como no dito popular, ele dá um boi para não entrar em uma briga, mas dá uma boiada para não sair.

Bastante encorpado, é melhor não vê-lo nervoso. Dono de um par de braços consideravelmente forte, Lips já andou ao lado da Leões da Fabulosa, uma torcida organizada da Portuguesa famosa em São Paulo por ser pouco numerosa e, mesmo assim, boa de briga.

Durante um show numa cidade da Grande São Paulo no início dos anos 90, as Velhas Virgens por pouco não morreram. O público não conhecia muito o trabalho da banda e chegou a pedir músicas de bandas consagradas. “Então um colega nosso subiu no palco e gritou: ‘Vocês querem Ramones?’”, conta Lips. Depois da resposta afirmativa do público, Claudinho, o amigo da banda, emenda: “Então vão comprar o disco, seus filhos da puta.”

Lips conta que esse foi um dos maiores sufocos já enfrentados pela banda. “Só não meteram bala na gente porque não tinham revólver. Em compensação, atiraram lata, garrafa, pedra. Tudo o que viram pela frente. Conseguimos nos trancar em um quartinho, mas vieram esmurrar a porta. A polícia conteve os caras e nos ajudou a sair. Quando íamos embora, eles ainda aproveitaram para jogar pedras nos carros.”

Outros episódios não foram tão graves, mas nem por isso menos inusitados. “Certa vez, fomos tocar em Pato Branco, no interior do Paraná, e tínhamos pouco tempo para descansar. Chegamos ao hotel já à noite e resolvi dar uma relaxada de algumas horas antes do show. No quarto de cima, uma molecada de um time juvenil de tênis fazia um barulho tão insuportável que eu não consegui dormir. Quanto mais eu reclamava, mais alto eles zoavam. Chegaram até a ligar de dez em dez minutos para o meu apartamento”, recorda Lips.

Mas a vingança do baterista já estava arquitetada. Afinal, não seria nada difícil voltar bêbado do show às 5h da manhã do dia seguinte, quando os pimpolhos estariam no décimo sono, descansando para os jogos do dia seguinte. Dito e feito. “Cheguei ensandecido, fui para o andar deles e comecei a esmurrar a porta dos quartos em que os moleques estavam.”

Assustado, o treinador dos jovens tenistas sai de seu quarto e pede calma a Lips. Em vão.

“Eu sou o responsável por eles”, diz o técnico.

“Ah, é? Então onde estava o responsável quando esses pentelhos ficaram me enchendo quando eu queria dormir. Agora não tem conversa.”

O pessoal da banda foi obrigado a subir para segurar o alterado Lips, que não se cansava de bater na porta dos jovens tenistas. “Devem até ter perdido o jogo no dia seguinte. Ninguém abriu a porta. Acho que ficaram com medo”, especula.

Apesar dos raros momentos de destempero, essas situações não envolveram somente freqüentadores de shows e hóspedes de hotéis. O que fazer quando o contratante de um show não tem dinheiro para pagar? Melhor não fazer essa pergunta ao Lips.

“Fomos tocar em Ourinhos, no interior de São Paulo. Um cara contratou nosso show, viajamos e, quando chegamos, o cara disse que não teria dinheiro para pagar. Meu sangue sobe nessas horas. Não tem jeito”, tenta justificar Lips. “O Paulão queria fazer o show, o Cavalo queria voltar para São Paulo e eu queria brigar.” Coisas da vida.

Como já foi dito, as Velhas Virgens não são a banda mais briguenta do planeta. Justamente por isso, quando se envolvem em confusão, o melhor jeito é sair correndo. Antes de um show perto da Avenida Paulista, Paulão passeava tranqüilamente com sua namorada, Andréia, pela rua quando um skinhead a abordou.

“Um careca confundiu a Andréia com outra pessoa. Talvez tenha achado que era namorada de um amigo”, conta Lips. O skinhead estava com um grupo de carecas. Paulão e Andréia eram acompanhados apenas por Cavalo.

“De repente, um dos carecas agrediu o Paulão. A confusão começou. A gente tinha um monte de amigos, mas os caras fugiram, deixando só o Paulão e o Cavalo, que se viraram para não apanhar dos cinco brutamontes. Quando conseguiram voltar ao casarão onde iríamos tocar, avisaram que os carecas estavam vindo pegar a gente. Foi então que eu entrei na briga”, explica Lips, que nunca foge da raia nessas horas.

“Peguei um caibro e dei nas costas de um dos carecas. Quem disse que ele caiu? Quando ele olhou pra mim, dei o sinal. Todo mundo saiu correndo”, prossegue Lips, admitindo que comprar aquela briga não seria bom negócio para eles.

 
 

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