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De Pernas Pro Ar
17/03/2008

Época de muitos shows em bares pela cidade. Lembro de um dia memorável. O show era num bar chamado Grafiteria e ficava na famosa Rua 13 de maio, no Bexiga, um bairro marcado por sua boemia e pelas cantinas italianas, imortalizado por Adoniran Barbosa em tantas canções.

Casa lotada. Tinha uma entrega de prêmios para não sei quem. Não me lembro o que era a comemoração, mas lembro que os prêmios eram garrafas de uísque. Lembro também que sobrou uma garrafa para a banda e essa sumiu durante uma pequena confusão.

Eu já namorava a Renata, uma moça bonita e interessante na mesma proporção em que era ciumenta e possessiva ao lado de quem fui muito feliz durante quatro anos. Eu não presenciei, mas muita gente me contou o que aconteceu em seguida. Duas moças foram ao banheiro e por azar - ou destino - a Renata estava indo também e ouviu uma delas dizer: “Eu beijo o Cavalo a hora que quiser!”

A mulher ouviu isso e ficou uma fera. Invadiu o lugar e quase afogou a menina na privada. Não estou brincando, enfiou a cabeça da coitada naquele lugar cheio de água que a gente usa no caso de necessidade. Eu só fiquei sabendo depois de tudo terminado.

Vi a Renatinha chegando toda feliz. Sorridente mesmo. Com aquela cara de quem aprontou. Fiquei desconfiado, mas deixei passar. Achei que ela tinha bebido umas a mais. Depois do show, me contaram o espetáculo que a moça deu. Mas esse é apenas um dos acontecimentos daquela noite festiva.

A abertura era do Expresso da Noite. Quando entramos para tocar, o Lips já não estava muito bem. Mas isso era razoavelmente normal. Sempre um de nós caía etilicamente pelas tabelas. Já tocávamos havia meia hora e tudo corria bem. Até que, numa virada qualquer, o som da bateria sumiu. Eu, o Paulão e o Caio olhamos pra trás e vimos o gordinho literalmente de pernas para o ar. Ele fez a virada e errou o prato. Caiu da bateria e ficou que nem uma tartaruga se debatendo.

O Paulão olhou aquilo, olhou pra mim e soltou um “boa noite, Grafiteria!” Acabamos o show e fomos levantar o gordinho. Naquele momento era desvendado o sumiço da garrafa da premiação. Some a essa garrafa uma cacetada de cerveja. O Lips havia “pegado emprestado” e tomado tudo.

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